[Review] Q.U.B.E. (PC)

Conheci Q.U.B.E. totalmente ao acaso, quando abri a página principal do Steam e vi seu anúncio em forma de vídeo, mostrando  seu gameplay. Desde então, fiquei interessado no jogo. Recentemente, tive a oportunidade jogá-lo e finalizá-lo. Confira a seguir nosso review.

Q.U.B.E. é a sigla para Quick Understanding of Block Extrusion, em português: Entendimento Rápido da Extrusão de Blocos. Extrusão, é um processo muito utilizado na indústria metalúrgica para dar forma as peças, você verá que isso tem tudo a ver com o jogo. Há também um trocadilho entre “Q.U.B.E.” e “Cube”, para nós, o famoso Cubo Mágico. E, nesse último caso, o jogo pega emprestado 2 conceitos: cores e rotação, como veremos adiante.

História: Poderia simplesmente lhe dizer que Q.U.B.E. não tem história, mas estaria mentindo. O jogo até possui uma, li uma entrevista com o roteirista do jogo (Sam Mottershaw) onde ele fala um pouco sobre a história que foi escrita, porém não foi usada de fato no game. Motivos? O jogo é independente e, por questões orçamentárias, muitas ideias tiveram que ser descartadas. O texto está em inglês (você pode conferí-lo aqui) mas, pelo que entendi, haveriam dublagens (vozes) e outros personagens, talvez algo diferente no gameplay também. O que fiquei feliz de saber é que o jogo teve uma certa inspiração no filme “Lunar” (Moon), algo que tinha notado antes de ler a entrevista. No mais, dentro do jogo atual, o que há de contexto é apenas você mesmo acordando dentro de uma espécie de fortaleza ou centro de pesquisas. Nada mais.

Jogabilidade: A princípio, o conceito de jogabilidade é muito simples. Você movimenta o personagem, sua mira, mão esquerda e direita (estes últimos com os respectivos botões do mouse). Também é possível executar saltos, que são bem baixos e realistas. Por outro lado, você pode cair de qualquer altura e não morrerá. Aliás, não existe “morte” em Q.U.B.E., deixando o jogador livre para se focar apenas nos puzzles.  A interação com os cubos é feita mirando neles, suas luvas destacam a cor do cubo a ser manipulado, com a mão esquerda você “ativa” a função daquele cubo, já com a direita, você “desativa”.

Cada cubo assume formatos e/ou funções diferentes baseados em sua cor. Alguns exemplos: o cubo azul serve como uma espécie de catapulta, o amarelo sempre  ocupa 3 posições e forma degraus, o roxo serve para fazer a rotação de paredes (fazendo aqui uma alusão ao Cubo Mágico). Se por um lado o jogo não mostra um enredo evoluindo, por outro, ele sempre inova apresentando novos conceitos de jogabilidade a cada fase. Em algumas delas, você tem um cenário em forma de declive e uma bola que vai descendo por ele. Você tem que levar a bola até o objetivo, usando as funções dos cubos coloridos. Há muita física envolvida em todos puzzles e até mesmo uma fase onde você aplica seu conhecimento sobre Teoria das Cores!

Gameplay:

Gráficos: Tecnicamente, não são excelentes, tampouco são feios. Muita gente pode achar o visual “pobre” por conta do excesso de paredes brancas mas, ao meu ver, isso contribui para atmosfera do jogo. Suas texturas são razoáveis e funcionais. Seu visual “clean” passa também uma tranquilidade ao jogador, o tornando algo bem agradável de se jogar.

Som e Trilha Sonora: Os sons do jogo são bem executados e ajudam a tornar a jogabilidade bem intuitiva, exemplo: quando você sobe um pilar é emitido um som diferente de quando você o desce, assim como quando você mira em algum cubo obstruído ou parede, indicando ao jogador que sua ação não está surtindo efeito.

Não bastasse isso, temos uma excelente trilha sonora que ajudar a criar todo clima de ficção científica. O jogo tem seus momentos difíceis, porém, a dificuldade é concentrada nos puzzles, dificilmente é usado algum artifício externo para criar tensão no jogador. Porém, a música também pode te deixar intrigado, juntamente com alguns puzzles que, inicialmente, você não vai fazer ideia de por onde começar. Vale lembrar que a trilha sonora do jogo pode ser comprada avulsa ou juntamente com o jogo, recomendo (estou ouvindo ela enquanto escrevo este post!).

Conclusão: Se você possui um PC, mesmo que modesto, Q.U.B.E. é um must play, a não ser é claro que você não goste, de jeito nenhum, de puzzles. Apesar de não ter comentado, você talvez tenha se lembrado de Portal/Portal 2. Realmente Q.U.B.E. tem lá suas semelhanças e até inspirações no jogo da Valve, porém não o considero imitação ou clone. Souberam dar uma identidade própria ao jogo, principalmente no que tange ao seu nome e conceitos usados (conforme comentei no início do texto). Q.U.B.E. é o tipo de jogo que recomendo para você jogar sem pressa de terminar, pois acho que ele deva ser apreciado e não “detonado”. É muito prazeroso ficar pensando e testando as soluções para puzzles, às vezes, você pode ficar “empacado”, mas cedo ou tarde, você acaba tendo aquele “estalo” e descobrindo o caminho para solucioná-los.

Horas de Jogo: 7 horas em média (levei 9)

Prós:
– Comandos simplificados, não exigindo ao jogador decorar vários botões, deixando a dificuldade focada apenas na resolução dos puzzles.

Contras:
– Apesar da física do jogo ser bem executada, em alguns momentos ela deixa a desejar, como nas fases dos cubos magnéticos.

Trailer:

Ficha Técnica
Ano: 2011
Desenvolvedora: Toxic Games
Publisher:  Toxic Games
Platformas: PC
Gênero: Puzzle em Primeira Pessoa
Single Player
Classificação: Livre

12 pensamentos sobre “[Review] Q.U.B.E. (PC)

  1. homerofeanor disse:

    Muito bom o review. Confesso que não sou um grande fã de jogos que focam somente em puzzles, acho até divertido quando tem um puzzle ou outro no meio de algum jogo, mas jogos que só tem esta premissa não me empolgam muito. É claro que quando falamos de jogos desse tipo temos que falar de Portal, que apesar de focar só nessa jogabilidade tem uma história que te motiva a continuar jogando ( lembrem-se ” The cake is a lie.”). Então quando descobri que este jogo não possui historia desisti pegar nele pois apesar de ter uma mecânica interessante acho que não me motivaria a chegar no fim só para ver mecânicas diferentes. Acho que se eles não tinham verba para inserir dublagens e afins no jogo, porque eles não inseriram a historia através de textos? Sei que algo já antigo mais no caso de baixo orçamento poderia ajudar. Mas quem gosta de puzzles deveria experimentar.

    • FrankCastle disse:

      Poderia falar para você testar o demo e ver o que acha, mas como você disse que não se motiva a continuar jogando apenas para ver mecânicas novas, acho que não iria gostar. Não vou contar sobre o final, mas apesar de não esperar nada do final, já que não há história no jogo, acabei curtindo muito a forma como terminou e isso foi a cereja no bolo para mim.

      Quanto a inserção de textos ou até mesmo a execução da história original que eles tinham em mente, acho que isso poderia tornar o jogo genérico e entediante, ou então as pessoas poderiam simplesmente pular essas partes por acharem chato. Mas é só uma especulação. Particularmente, acho que ficaria melhor nesta forma que foi lançado mesmo. Valeu pelo comentário!

  2. diego shinobi disse:

    Parece aquele tipo de jogo viciantemente divertido! Não gosto mto de puzzles justamente pelo fascínio que me gera pra tentar passar, apesar de não ter mta paciência e ficar irritado, acabo tentando até conseguir ou até ter um derrame! Então em nome da minha saúde, não vou jogar tão cedo! hhahahahah

    • FrankCastle disse:

      hahaha, então não jogue para não ter um derrame!😛
      Mas como eu falei no texto, acho recomendável jogar ele aos poucos. Gostava de jogar ele sempre quando chegava do trabalho, cansado e estressado, jogava um pouco, resolvia alguns puzzles e parava. O bom é que ele tem muitos checkpoints em curto espaço de tempo. Mas na dúvida, melhor conservar a saúde!😉

  3. Parabéns pelo review, Diego.🙂

    Game bacana demais, não? Aliás, quando joguei pela primeira vez, não consegui tirar Portal 2, principalmente, da cabeça. Os ambientes são bonitos, também. Nada cheio de firulas, mas são elegantes. Tudo tem um ar meio “estéril”, não sei explicar bem ao certo.

    Gostei muito da maneira como cada cubo se comporta, até mesmo levando em consideração os diferentes ambientes. Aliás, não sei se você chegou a ver isso, mas o Q.U.B.E. “se pagou” em cerca de 4 dias. Bacana, não?

    Grande abraço!

    • FrankCastle disse:

      Olá Marcos! Obrigado🙂

      Entendo perfeitamente o que você quis dizer com “estéril”😉
      Isso de cada cubo comportar de maneira diferente, levando em consideração os ambientes, a associação pelas cores (mais a combinação delas),tudo isso é realmente muito agradável e acabei achando legal também.!

      Ah sim, acabei passando batido sobre esta questão, mas vi sim que ele tinha “se pagado” em 4 dias, incrível mesmo! É que vi isso em alguns textos em inglês que acabei não entendendo 100% e aí achei melhor não colocar a informação sem ter muita certeza.

      Valeu pelo comentário Marcos! Aliás, já terminou ele?

  4. Salve Diego!🙂

    Puxa, ainda não terminei não, infelizmente. Mas é um jogão, com certeza. Muito criativo. Acho que um editor cairia muito bem nesse jogo, aliás.

    Gostaria de saber como andam as vendas dele, agora.

    • FrankCastle disse:

      É muito bom, a parte dos blocos magnéticos foi a que demorei mais! Quanto as vendas, estou por fora, mas elas devem alavancar com um pack que o Steam fez com 6 jogos por 10 dólares, o Q.U.B.E. está no meio!

      • É verdade. Deve ter vendido muito, e que bom.🙂 Poxa, desculpa pela demora na resposta, Diego. Antes eu recebia as notificações de novos comentários aqui no blog. Mas agora elas não chegam mais, mesmo marcando a caixinha.

  5. FrankCastle disse:

    Estranho isso Marcos, vou dar uma olhada, mas para falar a verdade, não conheço muito do wordpress não, uso as funções todas prontas, hehehe. Valeu por avisar!

  6. Estranho mesmo, Diego. Bem, espero que volte a funcionar.🙂

  7. […] E, mais recentemente, tenho visto mais jogos no estilo FPP (First Person Puzzle), como Portal e Q.U.B.E. O jogo desenvolvido pela Airtight Games e distribuído pela Square Enix traz, inclusive, um elo […]

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