[Review] Max Payne (PC)

Hoje, todas atenções estão voltadas para Max Payne 3, mas muita gente ainda não jogou os 2 primeiros jogos e outros, como eu, só os jogaram na época do lançamento. Resolvi então, jogá-los novamente antes de encarar o terceiro jogo da franquia. Embarque neste “trem iluminado como uma árvore de Natal”, seja para relembrar ou para conhecer mais sobre Max Payne 1.

Lembro que joguei Max Payne pela primeira vez no início dos anos 2000. Mesmo sendo um jogo totalmente novo, seu nome soava familiar e acabou caindo rapidamente na boca da galera. Seu maior chamariz foi o efeito “bullet time” durante o gameplay, algo que deixou os gamers da época em polvorosa. Vale lembrar que este efeito foi popularizado pelo filme Matrix (1999) que, nessa época, estava em alta na cultura pop. O jogo também contou com localização em português tanto nos menus quanto na dublagem dos personagens. E, por mais que ela tenha qualidade duvidosa, o fato é que agradou praticamente todos jogadores que puderam conferí-la, inclusive este que vos escreve.

Infelizmente, na versão do Steam que joguei recentemente, não há dublagem ou legendas em português (até existem alguns recursos extra-oficiais, mas podem não funcionar em alguns Sistemas Operacionais). Topei numa boa jogar em inglês, até para conhecer a dublagem original, uma vez já tinha jogado em português antes. Gostei, a  dublagem em inglês é muito boa também.

História: O jogo começa com o protagonista no alto de um prédio e uma narração em off feita por ele mesmo. Há um flashback de 3 anos. Max Payne é um detetive da polícia de Nova York, mora numa bela casa no subúrbio com sua esposa Michelle e sua filha recém-nascida. Tem como grande amigo, Alex: policial do D.E.A. (Departamento de Narcóticos) que o convida para integrar sua equipe. Porém Payne recusa o convite, pois não quer se sujeitar a trabalhar disfarçado e ficar longe de seu lar, já que agora é um pai de família. É o “Sonho Americano” se tornando realidade.

Porém seu sonho se transforma em um pesadelo: ao chegar em casa, vê que ela foi arrombada. Ouve gritos de sua mulher seguidos de tiros. Consegue deter os criminosos, mas não a tempo de salvá-la: sua mulher e filha estão mortas. Ao saber que os criminosos estavam sob efeitos de uma nova droga apelidada de “V”, decide reconsiderar o convite de Alex e entra para o D.E.A. afim de investigar o caso. Temos um avanço de 3 anos.  Payne está trabalhando há um bom tempo disfarçado infiltrado na máfia, Alex e “B.B.” são os únicos que sabem sua real identidade.

E assim a história segue, intercalando entre gameplay, cutscenes e as sempre presentes graphic novels (HQs). Muito bem feitas, por sinal. E a qualquer momento do jogo, você pode ver todas as páginas da história, até a parte em que você está. Existem muitas revelações e reviravoltas. Max Payne conta com um ótimo enredo, digno de um filme. Se quiser ver a história completa em quadrinhos, pode conferí-la no vídeo abaixo (infelizmente, só consegui gravar a versão em inglês):


Jogabilidade:
 Se por um lado a história de Max Payne é boa, por outro a jogabilidade também! Você dispõe de várias armas que vão sendo coletadas ao longo do jogo, algumas delas podem ser usadas em conjunto. Sua mira é bem simples: um ponto branco na tela, nada mais. E essa simplicidade revela uma das miras mais precisas já vistas no mundo dos games. Seu personagem também pode dar pulos e rolamentos no chão. Não possui uma função de “cover” pré-programada, não que você não possa fazer isso manualmente, já que seu personagem pode se agachar. Você também pode apertar botões e mover alavancas pressionando “E”, algo útil para abrir portas e resolver algumas situações, mas que não chegam a ser puzzles. Outro fator legal é a forma que Payne recupera energia: através de Painkillers (analgésicos), pois dão a entender que são mais para resistir a dor do que  para curar.

E claro, vou falar agora do recurso de jogabilidade que consagrou o jogo: o famoso bullet time! Que, ao mesmo tempo em que ajuda em diversas situações, adiciona um elemento cinematográfico. Você pode ativá-lo com “Shift” ou com o “Botão Direito” do mouse a qualquer momento, desde que sua ampulheta não esteja vazia. Primeiramente lembramos de Matrix, obviamente. Mas se você usar o bullet time pressionando em conjunto com alguma tecla de direção, verá que Max (agora que já estamos íntimos, podemos chamá-lo assim) “se joga” enquanto você pode mandar bala nos inimigos, seja caindo de lado, avançando ou recuando. É uma clara referência visual aos filmes de John Woo, em especial a Hard Boiled.

Os ângulos de câmera também são muito bons, dificilmente você irá se incomodar com a perspectiva. Talvez o único ponto fraco envolvendo a jogabilidade, seja o fato do jogo criar checkpoints apenas no início dos capítulos ou partes específicas do jogo. Sendo assim, você precisa ficar pressionando “F5” para salvar o progresso frequentemente (algo que causa um pequeno “lag”).

Gameplay

Gráficos: Em 2001, quando o jogo foi lançado, os gráficos já eram ótimos. E mesmo hoje em dia, são bem agradáveis aos olhos. É como assistir “O Exterminador do Futuro 2”, por mais que o filme seja antigo, você não consegue dizer que seus efeitos são toscos, digo o mesmo de Max Payne. Talvez em algumas partes mais escuras o jogo deixe um pouco a desejar, mas fora isso todo o resto é digno de elogios. As texturas são muito bem feitas, as cutscenes usam gráficos do próprio jogo. Não bastasse isso, ao pausar o jogo, a câmera gira fazendo um 360º em Max, dando para ver sua cara “de quem chupou limão”.

São nesses pequenos detalhes que vemos o capricho da equipe. Outros detalhes interessantes são os efeitos de particulas quando os tiros acertam paredes, pilares ou caixas (fazendo novamente referências a Matrix e filmes de John Woo). O esmero é tanto que, quando você atira na parede, primeiro há o estouro do concreto e logo em seguida, o pó cai do buraco de bala. É há um meio termo entre jogabilidade/cutscene, por exemplo: se você mirou na cabeça do inimigo e atirou, assim que você clica, é aplicado o efeito do bullet time. E quando você faz isso com uma Sniper, a câmera acompanha a bala em sua trajetória até acertar o inimigo.

Som e Trilha Sonora: Não quero parecer redundante, mas a trilha e efeitos sonoros estão excelentes também: Sons de armas, explosões, granadas e partículas quicando no chão dão uma ótima atmosfera ao jogo. E, apesar do bullet time ser um efeito mais visual, podemos ouvir as batidas do coração de Max enquanto tudo está em câmera lenta. O jogo não é 100% trilhado, a música entra em momentos específicos, mas muito bem escolhidos. Mais uma vez assemelhando o jogo à sétima arte, completando os momentos de: urgência, ação, tensão, alívio cômico e por aí vai.

Conclusão: Mesmo com 11 anos de idade, Max Payne é um jogo que pode ser jogado tranquilamente hoje em dia: sua jogabilidade é acessível, sua história é boa e a diversão é garantida. Deixo também 2 dicas: a primeira que já falei, é sempre ficar esperto e pressionar F5 para salvar o progresso de seu jogo. A outra é ajustar a resolução para não deixar seu jogo com visual “achatado”, por exemplo: se você usa monitor Widescreen com resolução 1920×1080, deixe o jogo em 1680×1050.

Horas de Jogo: 9

Prós:
– Todos os aspectos comentados acima: Gráficos, Jogabilidade, História, Som e Trilha Sonora.
– Mesmo sendo um jogo antigo, há versões como a do Steam que rodam em Sistemas Operacionais como Windows 7 de 64 bits.

Contras:
– O fato do jogo não ter checkpoints, praticamente obriga o jogador a sempre usar quick saves pressionando F5 que, além de incomodar, atrapalha um pouco a performance e fluidez do jogo.

Curiosidades:
– Existe uma versão do jogo para iOS e, pasmem: para Game Boy Advance (GBA)! Esta última é bem diferente da versão de PC e traz uma visão isométrica que acaba lembrando muito o jogo Shadowrun de SNES.
– No primeiro jogo, os personagens da graphic novel são interpretados pelos membros da equipe de desenvolvimento, como não tinham grana para contratar atores, eles mesmos se encarregaram dos papéis!
– E Sam Lake (principal membro da equipe do jogo) serviu de modelo para o próprio Max Payne, veja:

Pretendo fazer um review de Max Payne 2 também, assim que o terminar. E apesar do post ter sido bem grande, talvez eu tenha deixado de lado algum detalhe interessante, portanto se você lembrou de algo legal que merece ser mencionado, comente aí! Lembre-se: “No Payne, no gain!”🙂

Ficha Técnica
Ano: 2001
Desenvolvedora: Remedy Entertainment
Publisher: Gathering of Developers (distribuído hoje pela Rockstar)
Platformas: PC, Xbox, PS2, GBA, Mac OS, iOS e Android
Gênero: Tiro em Terceira Pessoa
Single Player
Classificação: 17 anos

2 pensamentos sobre “[Review] Max Payne (PC)

  1. homerofeanor disse:

    Sim Frank Castle concordo com o que você disse no seu review, mas apesar de ter gostado muito das duas vezes que joguei o jogo tenho que reconhecer alguns pontos que podem frustrar um pouco. Primeiro que nos primeiros capítulos a jogabilidade e extremamente repetitiva e essa repetição só não é maior porque as partes de grafic novel são adicionadas com frequêcia. A jogabilidade só se torna um pouco mais fluída quando pegamos a sniper e podemos ver o efeito muito legal da bala indo de encontro do inimigo.

    Outro ponto que gostaria de salientar mas pelo lado positivo é humor presente no jogo é muito legal até assistir as novelinhas que passam nas tvs.

    Realmente o primeiro Max Payne é um jogo excelente e tem que ser jogado. Vlw

    • FrankCastle disse:

      Realmente cara, talvez tenha deixado passar este ponto. Isso é algo que, no Max Payne 2, notei mais do que no primeiro. Acho que a minha atenção focada em detalhes do cenário e minha fixação por sempre querer fazer uma peripécia diferente no tiroteio, usando o bullet time, ajudaram a mascarar um pouco essa repetição.

      Tanto é que, no Max Payne 2, pegou exatamente nisso: não estou mais conseguindo fazer proezas do nível que fazia no primeiro, estou com dificuldades para usar o bullet time da maneira como eu quero. Talvez o escapismo para essa repetição seja imaginar cada “wave” de inimigos como um “playground” para brincar com o bullet time e tentar algo novo🙂

      Valeu pelo comentário!

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